quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

MITOS X VERDADES DO PARTO HOSPITALAR

Ata Grupo de Gestantes - 18 de fevereiro de 2009

No último encontro do Grupo de Gestantes, ficou no ar a questão do que realmente acontece num hospital durante o parto em relação a procedimentos. O que é lei, o que é regra do hospital, o que é pratica médica, e o que dá pra gente discutir e negociar pra ter o parto do nosso jeito.
Então, a Dra. Natalia Zekhry, ginecologista obstetra, veio conversar com a gente para tirarmos todas essas dúvidas. Foi bastante esclarecedor e deu pra perceber que a pesar de realmente existirem algumas leis nacionais que regem procedimentos, algumas regras de cada hospital, e condutas particulares de cada médico, dá sim pra gente negociar, conversar, bater o pé e fazer a nossa vontade prevalecer nesse momento tão particular.
O importante é se informar, saber o que quer, saber a relevância do que quer, e com isso escolher cuidadosamente os profissionais que nos acompanharão e a instituição que nos abrigará no parto. Lembrando que não existem apenas hospitais e obstetras como possibilidades, mas também maternidades, casa de parto, e até a nossa própria casa. Existem inúmeras linhas médicas seguidas por obstetras, existem parteiras, existem Doulas, enfermeiras, pediatras neonatologistas, anestesistas... Escolher tudo isso pode dar trabalho, mas depois que você achar o que quer, o negócio é entregar na mão deles e confiar que farão o melhor por você e pelo bebe, relaxar e estar ativamente presente na gestação e no parto.
Aqui seguem algumas questões que levantamos e que podem servir de base para a conversa com os profissionais que você escolher:

Trabalho de parto:

- Uso do quarto de parto, labor delivery room .
Alguns médicos só fazem parto no centro cirúrgico, mas algumas maternidades possuem esse quarto especial que é grande, confortável, equipado com banheira e que permite à gestante passar o trabalho todo de parto nele e dar à luz ali mesmo, se for parto normal.
- Presença ilimitada do pai em todo o processo. Isso é bom conversar com o médico, principalmente com o anestesista, que geralmente pede para o pai se retirar na hora da aplicação. Mas o pai poderia estar dando apoio físico à gestante, que se sentiria muito mais segura em braços que ela conhece e confia.
- Presença de outras pessoas, alem da equipe médica (doula, massagista, mãe, etc.). Na Maternidade Pro Matre, o delivery room é dentro do centro cirurgico, então eles restringem a presença de não-profissionais no acompanhamento do parto a 1 pessoa (geralmente o pai). Já nos hospitais Albert Einstein e São Luiz, o acesso a outras pessoas é ilimitado, a gestante pode por a família inteira pra assistir, se quiser. Se você quiser um acupunturista ou uma parteira te acompanhando converse com o médico pra saber como ele trabalha com essas participações.
- Quanto ao uso da oxitocina. É um hormônio que nosso corpo produz naturalmente que, entre outras, tem a função de promover as contrações uterinas. Quando as contrações são fracas e irregulares e o parto não esta progredindo de maneira adequada, o médico pode fazer uso desse hormônio aplicando-o na veia. Se ele faz isso e quando ele faz, é algo para se discutir.
- liberdade de movimentação, andar, se posicionar. Muitos hospitais públicos, pela falta de espaço e pessoal, ordenam que as parturientes fiquem deitadas. Isso não acontece na maior parte das maternidades particulares.
- liberdade para uso ilimitado da banheira e/ou chuveiro. Água morna ajuda muito a administrar a dor, mas alguns procedimentos médicos precisam ser feitos fora dela. A maior parte dos médicos não topa fazer um parto na água!
- questão da lavagem intestinal. Não é mais obrigatória.
- questão da tricotomia. (retirada dos pelos pubianos). Não é justificada, a não ser em caso de episitomia lateral.
- liberdade para beber água e sucos enquanto tolerado. Ingestão de alimentos ricos em carboidratos e pouca gordura. Discutir isso, pois pode haver discordância com o anestesista.
- monitoramento fetal: apenas quando necessário e não contínuo.
- deixar que a bolsa se rompa naturalmente. Converse com seu medico a respeito, pra saber em que casos ele estora a bolsa artificialmente.
- liberdade para decidir sobre analgésicos ou anestésicos. Para isso é bom conversar muito com seu médico para ele saber qual o seu grau de tolerância `a dor e quais as suas expectativas em relação à isso. Não há regra ou lei que determine o seu uso. Existem muitos tipos de anestésicos, procure conhece-los.
- ser informada sobre o tipo de medicamento que será aplicado e seu efeito sobre mim, o bebe e o parto. É um direito seu, mas se você escolheu bem os profissionais que te acompanham, então não se preocupe, entregue e confie, curta seu parto!
- questão da episiotomia. Muitos médicos fazem aquele cortezinho no períneo de praxe. Não esperam pra ver se será realmente necessário. Alguns cortam de um jeito, outros de outro. Não há comprovante de qual maneira de cortar é melhor, provavelmente a melhor é a maneira que o médico tem segurança em fazer. Mas muitas mulheres gostariam de deixar as coisas seguirem seus acontecimentos naturais. Então descubra a que método seu médico é adepto.

Parto (hora do nascimento)

- quero liberdade para sentir qual a melhor posição para mim na hora da expulsão. Alguns médicos determinam essa posição para terem melhor acesso.
- o quarto deve estar aconchegante, com meia luz, temperatura agradável e em silêncio. Se você quiser isso pode ter na maioria das maternidades. Nos centros cirúrgicos fica mais difícil, mas também dá pra cuidar um pouco do ambiente, se houver boa vontade.
- nada de ordens gritadas e excitadas. Ambiente especialmente calmo. – questão de conversar e se fazer entender.
- Nascimento suave, sem que eu force demais a expulsão. Depende da conduta do médico e do próprio parto.
- envolver o pai no trabalho de parto e parto. Nesse caso uma Doula ajuda bastante a orientar o pai e não deixá-lo apenas como espectador.
- Clampeamento do cordão umbilical - apenas depois que parar de pulsar.
- o pai deverá cortar o cordão. É um ato simbólico, mas que se o pai estiver disposto tem importância fundamental no papel do pai que acaba de nascer.


Após o Parto

- Sucção das vias respiratórias do bebe só se for necessária. Isso precisa ser conversado com o neo-natologista que acompanhará o parto.
- bebe amamentado nos primeiros 30 minutos de vida. Isso é importante para ele treinar o reflexo da sucção, muito presente na vida intra-uterina. Também ajuda na expulsão da placenta por estimular contrações.
- expulsão espontânea da placenta com auxílio da amamentação. – Tem médico que fica puxando e forçando...
- banho simbólico será dado pelo pai em banheira preparada junto à cama da mãe. Esse banho é calmante para o bebe, e coloca o pai em papel ativo. Mas não é praxe o médico promover isso.
- avaliação e exames no próprio quarto de parto. Nas grandes maternidades é isso mesmo que acontece, mas sabemos que há lugares onde o bebe nasce e é imediatamente levado embora, só mais tarde é que a mãe conhece seu rebento.
- período de observação. Nas maternidades Pró-Matre e SãoLuiz, após o parto e um tempinho junto aos pais, o bebe é levado para um período de observação de suas funções vitais. Ele vai pro berçário e fica sendo monitorado lá por 2 a 4 horas, até que o trazem para a companhia dos pais novamente. Isso é obrigatório nesses hospitais e não tem jeito de mudar. Já no Albert Einstein, se o neo-natologista afirma que esta tudo em ordem e juntamente com os pais se responsabiliza, o período de observação é feito no próprio quarto, sem precisar ir nem um instantinho para o berçário.
- Administração do nitrato de prata ou antibiótico oftalmológico. Essas gotinhas são lei, mas conversando com o neo-natologista e fazendo alguns exames antes do parto dá pra se livrar delas.
- alojamento conjunto. Separação apenas se solicitada pelos pais ou pelo médico. Isso é totalmente conversável e aceito perfeitamente pelas maternidades.


Em caso de cesárea

- que seja feita da maneira mais humanizada possível. – apesar de ser um procedimento cirúrgico, a cesárea é um parto e merece todo respeito e atenções de um parto natural.
- Permitir o início do trabalho de parto antes de efetuar a cesárea. Seria ótimo a criança poder escolher seu momento de nascer.
- presença do pai. É fundamental para transmitir segurança pra mão.
- Anestesia: sem sedação. É o nascimento do seu filho, esteja presente e participando disso!
- gostaria de ver a hora do nascimento, com o rebaixamento do protetor ou por um espelho. Isso também é possível se você quiser!
- após o nascimento gostaria que colocassem o bebe sobre meu peito e que minhas mãos estejam livres para segurá-lo
- amamentação o quanto antes – assim como no parto normal este estimulo é importantíssimo para mãe e bebe, ou até mais, para acordar os hormônios que ainda não entenderam que o parto já aconteceu.


Cuidados com o bebê

- camada sebácea - Não precisa ser inteiramente retirada, ela protege e nutre o bebe.
- amamentação – livre, os intervalos serão estabelecidos pela mãe e seu bebe.
- não oferecer água glicosada, complemento alimentar ou bicos, mesmo durante a noite. – isso pode acontecer em muitos berçários de maternidades, fiquem de olho! A não ser que seja prescrito pelo médico.
- banhos e trocas de fraldas no quarto – é bom os pais aprenderem e se habituarem com esses cuidados, logo eles estarão por sua própria conta.
- produtos de higiene do bebe - se você optou por utilizar determinados produtos em seu filho, leve-os à maternidade e descarte os que eles oferecem, sem constrangimento.
- medicamentos, exame e vacinas – as maternidades te oferecem um mundo de exames extras para fazer, e vacinas. Converse antes com seu pediatra para saber como proceder.

Obrigada Dra. Natalia Zekhry pela sua atenção, foi preciosa!

Quem quiser entrar em contato com ela procure:
Clínica Célula Mater
Al. Gabriel Monteiro da Silva, 802
Tel: (11) 3067-6700

Grande abraço, Tarsila e Emília

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Casal x Família


Ata Grupo de Mães - 04 de fevereiro de 2009

Olá, Queridas Mães!

O tema do nosso último encontro, foi como melhorar a qualidade de vida da família quando está tudo uma verdadeira desordem, um verdadeiro caos!

- Mamãe está esgotada, mal cuidada e se sente péssima consigo mesma.
- Papai não assume as responsabilidades com as crianças da maneira que a mamãe gostaria.
- Mamãe critica papai por isso.
- Papai cobra mamãe porque a casa está uma bagunça e porque as crianças ainda não estão na cama.
- Filhinhos sem ritmo, sem hora para dormir, sem hora para comer, sem hora para nada!
- Mamãe e papai não namoram mais, pois esse dia-a-dia transformou o relacionamento deles num saco.

Gente, todos os casais com filhos passam por isso! Não tem jeito de não passar... A diferença é que alguns casais enfrentam crises mais graves e demoradas e outros menos. Mas é normal e a única saída é a conversa, o diálogo, sem criança para atrapalhar, sem criança para ouvir o que não deve. Esse momento é para colocar o barco no rumo certo, e mais, deixar claro que os dois estão no mesmo barco, e que esse barco depende exclusivamente dos dois para não naufragar!

As funções maternas e paternas exercem papeis diferentes perante a criação dos filhos.

Funções Maternas:
- Acolher
- Alimentar
- Proteger

Funções Paternas:
- Por limites, cortar o cordão umbilical
- Agir com firmeza
- Estabelecer regras

Mas todos esses papeis na verdade são dos dois para que exista equilíbrio. A troca dos papeis é importante, para que não exista uma função fixa de um e de outro e se cobre essas funções caso não sejam exercidas. E o pai não vire um monstro e a mãe a boazinha. O pai e a mãe devem assumir todos os papeis, juntos.

Organizando o Caos:

- Mamãe precisa de umas férias. Sair um fim de semana sem marido e sem criança vai dar um novo gás nas relações do casal e da família. E deixar o pai mais próximo das crianças, conhecendo e dando valor ao trabalho doméstico.

- Uma tabelinha com todos os horários da criança pode ajudar a organizar a vida na casa. Hora das refeições, hora de passear, hora do banho, hora de ir para cama. Mesmo as tarefas domésticas como ir ao supermercado, dar banho no cachorro, pagar contas, cortar a grama, podem entrar nessa tabela e serem divididas para que ambos as assumam e revezem.

- Papai e mamãe precisam resgatar o que existia entre eles quando não havia criança. Coisas que gostavam de fazer juntos, voltem a fazer! Talvez encontrar uma outra atividade que seja diferente, só dos dois, como uma aula de dança, por exemplo.

- Mamãe precisa ter pelo menos 2 horinhas por dia em que está fazendo algo por ela e para o bem estar dela. O papai também merece e precisa dessa folga consigo mesmo.

Essas dicas podem não resolver todas as questões que envolvem uma dinâmica familiar, mas podem ajudar e muito!

Quem quiser dar seu depoimento depois, temos certeza que vai ser de grande valia para as outras mamães em crise.

Um grande abraço,

Emilia e Tarsila

Vejam esse texto bem interessante sobre o assunto casal x família, do Dr. Aranha – pediatra Antroposófico, para revista Pais&Filhos:

“Se não forem respeitadas as “fronteiras” entre a intimidade do casal e a relação com os filhos, o casamento pode “azedar”.

...A situação fica complicada quando um dos cônjuges começa a sofrer com o fato de a intimidade do casal “ter ido para o espaço”. Afinal, eles não ficam mais a sós, e quando ficam estão esgotados; nunca mais viajaram romanticamente ou jantaram à luz de velas desde que se tornaram pai e mãe. Será que para sermos pais dedicados e amorosos temos de abdicar da intimidade e envolvimento prazeroso de um casal?
Na união de duas pessoas, cria-se um terceiro elemento, que é o casal, onde são depositadas muitas expectativas, planos, segurança e afetos. Um casal “vivo”só permanece assim mantendo uma intimidade própria e impenetrável a qualquer outra pessoa, inclusive os filhos. Assistir e respeitar essa intimidade é uma escola para os futuros relacionamentos das crianças.

Quando isso acontece, nós, pediatras, passamos a acompanhar o sofrimento da família. O pai torna-se muito seco, agressivo e fica cada vez mais fora de casa. A mãe fica frustrada com a pouca participação do pai em casa e torna-se superprotetora, e quanto mais superprotetora, mais o pai fica agressivo e a criança, com medo. A indiferença dentro do casal vai aumentando e assim chega a ser um alívio quando o filho fica entre eles na cama ou nos passeios. Mesmo nos momentos que estão a sós, esses casais trazem o filho como único assunto mais íntimo. A criança sente a angústia dos pais e se oferece em sacrifício, ficando acordada até altas horas e indo cedinho para a cama deles, que acabam, sem perceber, usando o filho como escudo, pois têm medo de ficar sozinhos em contato com o “buraco” da relação.

Parece, nesses casos, que a relação pais e filho ocupa o mesmo espaço da relação homem e mulher, na qual as expectativas de afeto são transferidas de uma relação para outra, sem distinção. A única solução parece ser a separação da família, em vez de fazer a devida separação dentro da família. Por isso, a importância de estabelecer fronteiras, onde cada um tenha o seu espaço e seu papel. Onde o casal possa coexistir e crescer, junto com seus filhos.”

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Muita conversa e dicas para acalmar o bebê!

Ata Grupo de Gestantes - 28 de Janeiro de 2009

Neste encontro conversamos muito sobre o que cada uma das gestantes esta vivendo.

A maioria esta na segunda gestação e percebe como é difícil se ligar ao bebe que esta dentro da barriga, enquanto o bebe que esta fora, o primeiro filho, demanda tanta energia e atenção. Elas se permitem menos a ter momentos de descanso, de se impor limites de esforço físico, de se preservarem tanto quanto se preservaram na primeira gestação. Claro, há uma criança que precisa ser cuidada imediatamente, quer colo, e que também esta em processo para receber o novo irmão. Mas é bom lembrarmos que se não nos colocarmos limites, nosso corpo irá fazê-lo, e quando ele fizer poderá não ser de uma maneira muito legal. Gerar uma vida não é tarefa pouca, vamos nos preservar para cumpri-la com louvor!

E por essa falta de espaço que a 2ª. gestação tem (que dirá uma terceira), fica mais clara a importância de momentos exclusivamente dedicados a ela. Como participar de encontros com outras gestantes, e poder se conectar ao bebê que esta sendo gerado. Depois que o bebe nascer ele também vai precisar de seu espaço de tempo exclusivo com sua mãe, é bom a família toda ir se acostumando!

Temos algumas estrangeiras no grupo e nos deparamos com as diferenças nos procedimentos hospitalares de cada país. Na Alemanha, por exemplo, é comum que a parteira seja a responsável por realizar o parto hospitalar, junto com uma auxiliar e se for preciso um anestesista. O pai participa de tudo ativamente e a parturiente tem uma liberdade grande na tomada de decisões no processo do parto. No Brasil, o parto hospitalar é obrigatoriamente regido por um médico obstetra, que tem um auxiliar, uma ou mais enfermeiras, um anestesista (na grande maioria dos casos) e um neonatologista. O pai é figura passiva e a parturiente acata às regras de procedimento. Na Alemanha o índice de cesárea é de 27%, no Brasil 82%.

Isso gera insegurança em quem deseja um parto mais humano, natural e ativo no Brasil, sem abrir mão da suposta segurança do parto hospitalar. O que realmente é possível fazer para que o parto e o tratamento com o pequeno recém-nascido seja da maneira que cada família deseja? Muita coisa pode ser feita, muita coisa pode ser solicitada, muitas regrinhas podem ser quebradas. Basta se informar sobre os procedimentos, levantar as questões para se descobrir o que é relevante e o que não é, e conversar muito com seu médico, neonatologista e hospital escolhido. Assim, os pais se tornam ativos em seus partos e poderão dar à luz seu filho da maneira que acreditam ser a melhor. Sem informação as regras e “leis” medico-hospitalares é que serão os ativos.

Assistimos também ao filme do pediatra Dr. Harvey Karp – “The Happiest Baby on the Block” Ele parte do principio de que a gestação do bebê é constituída em 4 trimestres. Além dos três trimestres que o bebê passa dentro do útero se desenvolvendo, há ainda o 4º. trimestre, que consiste dos três primeiros meses de vida da criança pós-nascimento onde ela ainda é mais um feto que um bebê, não esta pronta, precisa ainda amadurecer órgãos e sentidos. Ela sente falta do útero onde estava aconchegada, apertadinha. Sente falta do som, chiado constante das veias e artérias e da placenta, que ouvia 24 horas lá dentro. E sente falta do movimento que a embalava (quando a mãe se movimentava).

Por tudo isso, nascer é um corte abrupto desse ambiente. A criança chora e os pais não sabem o porque e nem o que fazer para acalmá-la. A proposta do Dr. Karp não é nenhuma novidade, é um resgate do modo como a humanidade costumava instintivamente acalmar seus bebês durante milhares de anos, mas que acabamos esquecendo como fazer. Acalmar o bebê é imitar as condições da vida intra-uterina.

São 5 os passos para acessar o reflexo da calma do bebê:
1) aconchegar, apertar, envolver;
2) colocá-lo de lado ou de bruços
3) fazer um chiado com a boca ou emitir um “ruído branco”
4) balançar
5) sugar

Aconchegar, Apertar, Envolver:
Consiste em limitar os movimentos do bebê. No útero, no 3º trimestre, o bebê tinha pouco espaço para se movimentar, ele estava apertadinho. Aqui fora ele está totalmente solto e se sente inseguro. Ele ainda não tem domínio sobre seus movimentos e desconhece seus próprios membros. Só mais tarde, em torno de 4 ou 5 meses, é que ele vai descobrir suas mãos e seus pés. Nos primeiros meses eles o assustam com seus movimentos involuntários.
Por isso o uso de um cueiro é imprescindível, para fazermos o que chamamos no Brasil de charutinho ou pacotinho.

Com um tecido de algodão macio enrolamos a criança com os braços estendidos ao longo do corpo, de maneira firme a limitar totalmente seus movimentos, deixando apenas a cabeça solta.
Isso pode fazer com que a criança berre mais ainda, mas insista. Com os próximos passos ela irá se acalmar e estar enrolada fará com que o sono tenha um tempo prolongado. Esse envolver é importante nos três primeiros meses de vida, mas pode ser usado durante muito mais tempo, até aproximadamente 8 meses.

Posição de bruços ou lado


Depois da criança apertadinha no cueiro, apóie-a em um de seus braços com a cabecinha e suas mãos, e o corpo virado de lado ou levemente de bruços. Só isso já poderá ser suficiente para acalmar seu bebê.
A posição de barriga para cima é incomoda, ele se sente desprotegido, vulnerável. Hoje em dia estipulou-se que a posição mais segura para o bebê dormir é de barriga para cima, mas também é a que ele acorda mais assustado...

Chiar ou emitir um “ruído branco”


Se o bebê ainda não se acalmou, com ele enrolado, de lado nos teus braços, aproxime sua boca do ouvido do bebê e faça um chiado constante (como se pedindo silêncio), tão alto quanto for o choro do seu bebê, para que ele o escute e preste atenção. Esse chiado procura reproduzir um som parecido com o que ele ouvia dentro do útero materno. Dizem os especialistas que ele se assemelha ao volume do som de um aspirador. Conforme o bebê for se acalmando vá diminuindo o volume do seu chiado. Bebês chegam a adormecer assim.

Balanço
Juntamente com o chiado o bebê sente falta do movimento. Balance sua mão onde a cabeça dele esta apoiada, de maneira leve, continua e na horizontal. Parecerá com o movimento de uma gelatina num pires. É um sacolejar leve, como se a mãe estivesse subindo escadas. É um embalar mais curto.

Sugar

Alguns bebês ainda precisam de mais para se acalmar. Dentro do útero ele sugava, sugava o dedo, a mão, o lábio, o cordão umbilical, etc. Amamentação é o meio natural mais poderoso para acalmar. Mas se você não estiver amamentando, precisar de uma pausa ou não for a hora da mamada, há duas opções ótimas para você e o bebê. Pode oferecer o seu dedo, ou dar uma chupeta. Para que ele pegue a chupeta, você pode puxá-la de leve com o dedo para que ele pense que vai perdê-la e assim sugá-la com mais firmeza.
Regras para o uso da chupeta:
- se amamenta no peito não dê a chupeta até que tenha mamado bem;
- nunca passe açúcar ou melado nela;
- nunca amarre a chupeta ao pescoço do bebê, pode ser perigoso

Ao utilizar essas dicas você verá que nem sempre o bebê se acalmará com a aplicação de apenas uma ou duas delas, Alguns bebes respondem melhor à limitação, outros ao balanço, outros ao chiado. Mas alguns precisam de todos esses itens e precisam de muito.

Os pais também podem e devem assumir o papel de “acalmadores”, não só as mães possuem esse dom!

Alguns se preocupam se não estarão acostumando mal o bebê. Mas se lembrarmos que todos estes estímulos ele recebia durante 24 horas dentro do útero, sem interrupção e que simplesmente estaremos tornando essa passagem para a vida no mundo menos abrupta, saberemos que é impossível estarmos acostumando-o mal, ele já estava acostumado a tudo isso e esta sentindo falta. Com o passar dos meses ele deixará gradativamente de receber esses estímulos, e estará bem!

No proximo encontro teremos a visita da Obstetra Dra. Natalia Zekhry, que além de conversar sobre a gestação, também vai tirar de uma vez por todas nossas dúvidas sobre os procedimentos no trabalho de parto e parto, e o que é possivel fazer para "personalizarmos" este momento tão especial.

Grande abraço,
Tarsila e Emília

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Amamentação, um ato de amor pela vida!

Ata, 14 de Janeiro - Grupo de Gestantes

Olá Meninas!

Neste último encontro tivemos a visita da Regina, Enfermeira Obstetra, super fera em aleitamento materno. Ela nos mostrou como é um parto normal sem intercorrências. Tarsila fez o parto da boneca Laura!



E nos contou MUITO sobre amamentação.



Vejam só o que ela nos falou:

Nós somos mamíferas, como todas as outras, FOMOS FEITAS PARA AMAMENTAR! A única coisa que nos diferencia das outras mamíferas, é a nossa cabeça pensante que pode atrapalhar os acontecimentos em nosso corpo e em nossos instintos naturais.

Sabemos que esse é um capitulo dos mais importantes, pois é uma questão de dois (mãe e bebê) e como se não bastasse, temos em volta sempre alguém para falar algo que nos ajuda ou nos atrapalha... É a avó, a mãe, a tia, a sogra... Nossa! “Essa criança está com fome, dá logo uma mamadeira para ela”, “O seu leite é fraco”, “Você não tem leite” e por aí vai.

Então, meninas, estejam seguras! “Yes, we can!” Mas não hesitem em pedir ajuda! Os profissionais estão aí para isso.

- Preparando a mama:
Durante a gestação, expor a mama a banhos de sol por 15 minutos antes das 10 da manhã e depois 16h. Depois do quarto mês, pode-se passar uma toalha felpuda na região ou mesmo usar um sutiã recortado na área do mamilo, para deixá-lo em contato com a roupa. Essas dicas ajudam a aumentar a resistência do mamilo.

- O Começo de tudo:
Se for possível, imediatamente após o parto, o bebê deve ser levado em contato direto com a mãe e levado ao peito. O maior reflexo de sucção neural ocorre na primeira meia hora de vida (ele se lembra de como sugava na vida intra-uterina)! Por isso, conversem com os médicos de vocês para que o parto seja humanizado, para que mãe e bebê possam estar o quanto antes juntos novamente.

- Pega Correta:
Para não ter nenhum problema com a amamentação, primeiro de tudo, o bebê tem que fazer uma pega correta na mama da mãe. O bebê deve abocanhar a maior parte da aréola. Você pode ajudar, fazendo uma prega na lateral da aréola e colocando-a dentro da boca do bebê. Pode também puxar o queixinho dele para baixo, abrindo mais ainda a sua boca depois que ele já estiver sugando.



Numa pega correta, com movimentos peristálticos, a língua esvazia as ampolas lactíferas, estimulando a produção e ejeção de mais leite. Enquanto houver estímulo, haverá leite. Se de alguma maneira, você estiver incomodada ou sentindo dor, a pega está errada. A posição correta da pega é na aréola, não no bico, e essa não gera dor.



- Ambiente:
Estar tranqüila e ter um ambiente acolhedor e confortável. Prestar atenção na postura para não ficar dolorida. Ter apoio para as costas, os braços e pernas. Estar realmente confortável! Sempre um copo de água ou suco, por perto. Amamentar dá muita sede. E a ingestão de líquidos ajuda na produção de leite. Mas nada de café ou refrigerante. Alguns chás também não são indicados.
Faça deste momento um ritual.

- Apojadura (descida do leite):
Pode ser um pouco assustador, pois o leite desce rapidamente e as mamas crescem absurdamente. Pode ser dolorido e as mamas podem ficar quentes e avermelhadas. O leite tem que ser drenado! E o bebezinho ainda não é capaz de drenar tudo isso sozinho. Então peçam ajuda! Drenem esse leite para alívio das mamas e doem o excedente! Drenem até sentirem alívio, não precisa tentar tirar todo o leite, lembrem-se, quanto mais estímulo mais leite nosso corpo entende que precisamos produzir.

- Posições de amamentar (normal, invertida, de cavalinho...):
Diferentes posições podem ajudar em uma melhor pega e melhor drenagem do leite de todos os quadrantes da mama, como na posição invertida.


Posição Invertida

A posição de cavalinho estimula o bebê mais sonolento a mamar.


Posição de Cavalinho


- Colostro:

É aquele líquido que já sai das mamas até mesmo antes do bebê nascer, meio amarelinho. O colostro deve ser o primeiro alimento do recém-nascido nas 48 horas iniciais de vida, pois é muito rico em anticorpos, daí ser chamado de a “primeira vacina”.

- Leite anterior e leite posterior:
O leite posterior é mais calórico e como ele desce depois, devemos estimular que o bebê aproveite bem a mamada, não deixando que ele durma no meio do processo. Com a ordenha correta, você terá sua mama esvaziada e a certeza de que seu bebê está bem alimentado por mais três ou quatro horas.

- Ritmo das mamadas:
Entre a mãe e o bebê, um ritmo natural que pode girar em torno de 8 mamadas por dia, ou de 3 em 3 horas, até 4 horas de intervalo no máximo.

- Os diferentes tipos de mamilo (protuso, semiprotuso, pseudo-invertido, invertido):
Os mamilos pseudo-invertidos e invertidos podem dificultar muito a amamentação. Mas não é totalmente impossível com a ajuda de um profissional e com o auxílio de um bico de silicone.

- Golfadas e fezes:
As fezes e as golfadas de um bebê amamentado no peito não cheiram mal. As fezes são como uma sopinha de legumes. E um bebê de peito pode ficar até 7 dias sem evacuar, sem problemas. O que acontece é que o bebê absorve tudo o que mama e por isso não precisa fazer cocô. Observe se ele está bem, se está fazendo xixi. Se está tudo ok, então não há motivos para preocupação.

- Desmame:
O desmame começa aos 6 meses de idade, quando o bebê passa a comer outras coisas. E vai se reduzindo aos poucos até o desmame total. Temos um post no blog sobre alimentação que está bem completo. A amamentação é uma relação de dois. Só existe quando os dois querem. E termina quando uma das partes desiste.

- Participação do Pai:
Ok, a amamentação é uma questão de dois. Mas pode e deve ser de três! Quando estamos com nossos bebês, parecemos leoas. Tudo a gente quer fazer. Mas não vamos esquecer o pai para que ele também não se sinta de lado. Trazer o pai para perto neste momento lindo, é fundamental! O pai pode e deve fazer várias tarefas com o bebê: por para arrotar, dar banho, trocar a fralda.... Até porque é um momento de muito desgaste para nós. Então precisamos desta ajuda e ninguém melhor do que o pai! O envolvimento do pai, forma laços indispensáveis na formação do vínculo entre pai, mãe e bebê e é determinante no desenvolvimento afetivo e cognitivo da criança.

É isso aí, queridas! Ainda falamos muita coisa relacionada ao amamentar, mas fica para uma próxima ata. O mais importante é que amamentar é um grande prazer e só traz benefícios para o bebê, para a mãe e para o planeta!! É a primeira relação de amor, de ritmo e de educação e é como ele aprende a se relacionar com o mundo!!!

Muito obrigada Regina pela aula!! Foi maravilhoso!

Quem quiser, depois do bebê nascer, pode solicitar uma visita profissional no hospital ou em casa à Regina. Ela dá uma super orientada, tira dúvidas, ajuda na pega do bebê, é uma mão na roda!

Contato:

Regina Moreira Lima
(11) 9491-6840 ou (11) 5524-6007
reginamlima@hotmail.com


Fontes:
“A arte de amamentar” de Karen Pryor
“Aleitamento Materno – Um banho de vitalidade” de Dr. Alexandre Rabboni

Emilia e Tarsila

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Gestantes, exercitem o assoalho pélvico!

Ata Grupo de Gestantes - 17 de Dezembro de 2008



Durante a gestação, o nosso corpo muda tanto, que é muito comum sentirmos dores na coluna, repuxos na pelve, dores lombares, entre tantas outras. Por isso um trabalho corporal bem orientado é importantíssimo nesta fase. E o trabalho de fisioterapia para gestantes pode ser uma alternativa excelente!! Não só para todas essas dores que vão surgindo ao longo da gestação, mas também para preparar nosso corpo para o parto, o pós parto, vida sexual e saúde em geral.

Em nosso último encontro, tivemos a visita das fisioterapeutas Susana Santacruz e Talita e foi muito produtivo. Com elas, tivemos a oportunidade de saber como anda o nosso tonos muscular da região pélvica, abdome, diafragma, períneo, etc. Aprendemos a respirar corretamente e conseguimos trazer a nossa consciência para essa região que fica esquecida a maior parte do tempo pois nossos movimentos são involuntários. Aprendemos inúmeros exercícios de solo e com a bola para trabalhar essa musculatura que vai ser extremamente exigida durante a gestação, parto e o pós-parto. Vamos praticar!!!



O legal é que a musculatura do assoalho pélvico pode ser trabalhada em qualquer lugar, sem que as pessoas em volta percebam nosso exercício. Então não tem desculpa, aproveitem o transito, a fila do banco, a fila do banheiro, a fila do supermercado, o elevador, a sala de espera do obstetra, e tantos outros momentos ociosos para fortalecer o períneo, ter maior qualidade na hora do parto e prevenir futuros problemas com essa musculatura.



Muito obrigada, Susana e Talita pelos ensinamentos!
Quem tiver interesse em fazer um trabalho personalizado ou em grupo com elas, sua clínica está equipada para todo esse trabalho de fisioterapia, ginástica postural e pilates para gestantes.

Seguem contato e endereço:

Susana Santacruz
Av. dos Eucaliptos, 353 – Moema – São Paulo
Tel: (11) 2533-0809
www.susanasantacruz.com.br

Emilia e Tarsila

sábado, 27 de dezembro de 2008

Mania de Criança

Ata – Grupo de Mães – 10/12/2008

Queridas Mães!

Esse nosso último encontro do ano foi especial! Trocamos muito, rimos muito, comemos muito e bebemos um pouco! Quanta coisa nós falamos! Os assuntos foram os mais diferentes e interessantes!! E aqui, com certeza não vai dar para relatar tudo....

Mas vamos lá! Falamos das “manias” das crianças. Várias delas que tentamos descobrir se são coisas próprias de cada criança, se não coisas que nós, pais, acabamos sem querer trazendo para elas ou ainda se são às vezes patologias. Vamos a elas:

Mania de colocar tudo na boca:
Criança pequena coloca mesmo tudo na boca. Ela descobre o mundo através da boca. E salvo alguns objetos pequenos demais que ela possa engolir, ou se machucar, ou coisas que realmente são sujíssimas que não se deve por na boca (cada uma tem o seu critério para as “coisas sujíssimas”), é normal, é natural e não devemos nos grilar com isso. Mas algumas mães reclamam que a criança não passou ainda desta fase oral... As fases duram tempos diferentes para cada criança. Mas pensamos que quando a criança começa a falar, o caminho para interagir com o mundo passa a ser de dentro para fora e não mais de fora para dentro. É dar tempo ao tempo, ter paciência e não querer que e a criança pule essa fase tão importante para o desenvolvimento dela.

Mania de morder:
O morder também está ligado ao descobrir o mundo através da atividade oral. O fato é que essa descoberta é dolorosa para quem leva a mordida. Não representa necessariamente para aquela que morde, uma forma de agressão. E pode até ser justamente o contrário, uma manifestação de carinho. O negócio é que dói. O que fazer?? Isso também é uma fase. E deveria passar a hora que ela também levar uma mordida. Aí vai saber que dói. Mas a situação é constrangedora para a mãe da criança-pitbull. Alguém ai tem alguma sugestão? Tapinha na mão? Uma mordida (sem muita força)? A Emília costuma fechar o nariz da filha para que ela abra a boca e largue sem machucar mais ainda a vítima.

Mania de chupar dedo, mania de chupar chupeta:
Essa é uma mania difícil! No caso do dedo, mais ainda. Chegamos a conclusão através dos relatos, que devemos incentivar que as crianças parem de chupar o dedo e a chupeta, encorajando-as, fazendo negociações do tipo: se você parar de chupar dedo eu te dou a boneca que você quiser. Ou estipulando com a criança uma data limite para largar o vício, tipo o aniversário onde ela ficará claramente mais velha. É importante delimitar o universo da negociação. Não vá fazer como a mãe que falou que daria o que o seu filho quisesse em troca de jogar a chupeta fora e o garoto pediu uma chupeta nova. O importante é que seja uma decisão também da criança. Com o passar do tempo ela percebe que só ela tem essa mania que está ligada de certa maneira a uma necessidade de um bebê ou uma criança pequena.
Um bom dentista infantil pode ajudar.

Mania de se tocar (onanismo):
Esse é um assunto que causa um certo constrangimento aos pais, mas que é uma mania que pode ser tratada sem que a criança fique com traumas. Antes de qualquer pré-julgamento, é importante descartar algumas coisas. Em crianças bem pequenas, pode acontecer quando começam a descobrir o próprio corpo e isso é normal. É uma fase, que se tratada com naturalidade, sem chamar tanta atenção para o fato, passa. Pode ter início ainda por uma assadura, infecção urinária ou alguma outra doença que causa coceira nessa região. Por isso um acompanhamento pediátrico e pedagógico é aconselhado nestes casos. Muita atividade física com brincadeiras durante o dia, e outras atividades que desviem a atenção do próprio corpo, podem ajudar nos casos de masturbação infantil. Vivemos numa época onde a erotização está em todo lugar, principalmente na mídia e devemos tomar cuidado para que uma coisa natural, não se transforme em patológia.

Mentira x fantasia e imaginação
Também falamos em sobre a mentira x fantasia e imaginação. Será bom incentivamos a imaginação das crianças com fantasias do tipo: São Nicolau, coelhilho da Páscoa?? A resposta é sim. Nós devemos incentivar que nossos filhos entrem na fantasia. Para criança até os 7 anos, o mundo deve ser BELO e não devemos medir esforços para que ela vivencie isso, porque o Belo, a fantasia, a imaginação, formam seu caráter, sua ética, sua personalidade.
Exemplos: O São Nicolau passou por aqui e deixou frutas secas e pão de mel. O seu cavalo comeu a cenoura que deixamos. As crianças ficaram encantadas.
Isso não foi uma mentira, mas uma fantasia que foi trazida para as crianças. Com um sentido maior por trás que ela entende e carregar[a dentro de si pelo resto da vida.
A mentira esta no Papai Noel do Shopping, e em todos os outros mil espalhados pelas lojas da cidade. Qual é o verdadeiro? Cadê o sentido de Belo nessa mentira?
Enquanto a criança brinca, se fantasia e inventa histórias seu mundo interior é rico e ela esta digerindo tudo aquilo que absorveu do mundo exterior, escola, casa, amigos, etc. Isso é saudável e deve ser incentivado. Agora, quando a criança começa a mentir para escapar de uma represália por um mal feito cometido, aí sim, nós adultos devemos ficar bem atentos para impedirmos que isso se torne um recurso do qual a criança faça uso regular. Nós adultos somos os exemplos principais para nossos filhos, devemos ficar atentos aos nossos atos, inclusive quando as crianças não estão por perto. Lemra daquelas mintirinhas sociais? Evite-as à todo custo, elas se tornam perdoáveis e as crianças absorvem isso!

Fora de casa é aonde o bicho pega
As crianças logo sacam que em ambientes sociais, elas conseguem mais facilmente o que querem com os pais. Em casa costumamos ser mais rígidos. O não é não. Agora fora de casa, o não, muitas vezes vira sim. Os pais não querem abandonar o churrasco porque o filho começou a fazer uma cena e quer algo. Acabam cedendo para não incomodarem os outros com os gritos da criança e para que seu filho não seja taxado de criança problema. Tem uma frase que eu acho que ilustra bem a situação: “Os filhos dos outros são chatos, os nossos estão sempre com sono!” Damos desculpas para o mal comportamento de nossos filhos. Vamos combinar?! Que criança não faz manha, que criança não é chata, que criança não berra bem alto para chamar a atenção? Então vamos tentar assumir que nossos filhos são normais, e os dos outros também, e vamos nos ajudar a mantermos a linha. Não vamos mais ceder às chantagens, nem dentro e nem fora de casa. Regra é regra e deve ser seguida, as crianças precisam de limites bem definidos para saberem por qual caminho podem andar. Claro que de vez em quando podemos baixar a guarda se a criança estiver merecendo, mas se ela percebe essa brecha e começa a abusar, levante a guarda novamente para não perder o controle!
Pessoal, houve outros assuntos, mas não dá pra relatar tudo aqui.

Este ano teremos participação de alguns feras em educação infantil, assunto família, e coisas da vida, não percam!!!


Uma ótima entrada no ano novo, que ele venha com muita coisa boa para todos!

Abraço
Emilia e Tarsila

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Primeiro encontro do Grupo de Gestantes



Nosso primeiro encontro foi uma delícia! Todas estão muito lindas com suas barriguinhas! Para quem não pôde participar, ai vai uma breve ata dos assuntos que falamos.

Primeiro houve uma apresentação, onde cada uma contou como foi o processo de engravidar, gestação e parto (para aquelas que já haviam passado por um ou mais de um). Trocamos muitas experiências através de cada um destes relatos. Para as mães de primeira viagem principalmente, os relatos foram ricos!

Por exemplo, como foi a escolha do médico para cada uma de nós?

Como abordar com o médico nossas preferências e expectativas em relação ao nosso parto?

Esse é um assunto muito importante, e que vai ser fundamental para que o momento do nascimento de nosso filho seja o mais tranqüilo e saudável possível. É importante que haja uma entrega total e para isso, é preciso ter confiança nos profissionais que nos acompanharão durante esses poucos e longos meses.



Perguntas ao médico:
Para as mães que desejam fazer um parto normal, enumeramos uma série de perguntas que poderiam ser feitas ao médico durante as primeiras consultas do pré-natal. Assim é possível sentir a disponibilidade do médico para fazer, ou pelo menos tentar, um parto normal. Aí vão algumas delas:


- Em que situações você não faria um parto normal?

- Você esperaria mais de 40 semanas o trabalho de parto acontecer naturalmente?

- Você costuma fazer partos normais com que freqüência? (Para uma resposta mais “correta”, às vezes temos que entrar em contato com o hospital)

- Você acha que se o bebê passar de determinado peso, o parto deveria ser uma cesariana?

- Que perigos você acha que tem o parto normal?

- Que perigos você acha que tem a cesariana?


Na revista Pais&Filhos de dezembro 2008, há uma matéria bem interessante sobre os riscos que implicam uma cesárea e os motivos que muitos médicos apontam como indicativos para uma cesárea, mas que em realidade poderia ser um parto normal. Acessem a matéria no site: www.revistapaisefilhos.com.br

Nos relatos, pudemos ter uma amostra de como cada gestação é uma gestação, cada parto é um parto. Um diferente do outro e único. O importante é que o parto aconteça de forma saudável tanto para o bebê quanto para a mãe, do jeito que for.

Se for natural, sem anestesia, de cócoras, que seja de maneira a trazer realização a ambas as partes.

Se for normal, tranqüilo, com anestesia, que seja para a felicidade de ambos.



Se for uma cesárea necessária, que seja em boa hora e com muita saúde para o bem de todos.

O parto não deveria ser uma experiência traumática, da qual a mãe se lembra com temor, mas sim como um momento de vida, de transformação, de felicidade por trazer um filho ao mundo. O parto é o final de um processo que é a gestação, e merece toda atenção. E para que isso aconteça, vale a pena escolher com critério os profissionais que nos acompanharão, e também nos informarmos e nos prepararmos para aproveitar ao máximo esse tempo tão especial.

Livros:
Recomendamos alguns livros para acompanhar a gestação. O “Parto Ativo”de Janet Balaskas é maravilhoso e o “Gravidez Natural, da mesma autora também é muito bom.

Mães de segunda viagem
As mães de segunda viagem comentaram o quão importante está sendo participar de um grupo de gestantes, onde elas podem estar dedicadas exclusivamente àquele bebê que estão gerando, quando todos os outros momentos do dia são do primeiro filho, que exigem cada segundo das atenções. Assim, também falaram como é gostoso poder passar suas vivências para as mães de primeira viagem.


Ficamos contentes com nosso primeiro encontro!

Um grande abraço para vocês!


Tarsila e Emilia